Começar ... Aprender com o digital


“Sem a palavra, sem a escrita e sem os livros não há história, não existe a humanidade.” (Hesse, ..., p. 109)

O livro e por ele, a leitura constrói um conjunto de significados que nos dão a possibilidade de aceder a ferramentas de construção cultural, de formulação de identidades, do nosso património cultural, da memória, por onde é possível dialogar com os que sonharam também como nós incentivar numa eterna reconstrução do mundo. No livro encontramos os modos como as relações sociais se organizam, devolve-nos os aspectos em mudança no conhecimento que se tem do mundo e nele podemos aceder ao diálogo que a tecnologia e a natureza permite estabelecer na vida do homem. 

O livro foi e é uma das formas possíveis de romper mundos fechados, de conceder a respiração que, individualmente, cada um de nós transporta. Com ele compreendemos as representações que as novas ideias estabelecem, abrimo-nos aos conceitos de modernidade, como forma de sociedade. Com o livro foram dispensados os intermediários do saber e dada à leitura uma forma individual de construir o mundo. No livro descobrimos as surpresas do reconhecimento das nossas próprias vozes.

Nas últimas duas décadas um conjunto de transformações sociais e tecnológicas mudaram a forma como nos relacionamos, como socializamos, como apreendemos o mundo, como acedemos à informação. O digital trouxe à leitura complementaridades, desafios que importa aproveitar, para essa ideia essencial que é resgatar as palavras capazes de nos fazer caminhar em universos de possibilidades novas, em encontrar os interiores de que somos feitos.

O digital encontrou resistências. Resistências advindas da funcionalidade prática das aplicações, das linguagens múltiplas criadas, da centralidade do currículo em respostas pré-planeadas e do sentido simbólico da própria instituição escolar. As transformações vividas dão-nos caminhos, capazes de promover ambientes articulados de aprendizagem (Hargreaves, 2003) que estimulem a criatividade, fomentando melhores oportunidades.

As bibliotecas escolares podem desempenhar um importante papel nesta abertura a uma construção contextualizada do conhecimento. A leitura pela sua importância e pela sua ligação às literacias é um dos campos essenciais desta dinâmica. 
É essencial incentivar diferentes formas de leitura, sendo as aplicações integradas no que se chamou a Web 2.0, uma das possibilidades para diversificar formas de aprender e de comunicar ideias.

No sentido de criar uma pedagogia de leitura que valorize o prazer de ler, mas também os recursos ao seu dispor, a sua integração em áreas que não apenas curricularmente as línguas, o projecto que aqui deixamos procura de um modo simples e prático apresentar o que pode ser uma motivação à leitura, com recurso a um universo de ferramentas digitais, que incluam,o texto, o audio, o video, o pensamento organizado, os mapas de ideias, a literacia da informação e a inovação criativa. 

Referências
Hargreaves, A. (2003). O ensino na sociedade do conhecimento: A educação na era da insegurança. Porto: Porto Editora.
Herman, H. (2010). “Magia do Livro”, in  Uma Biblioteca da Literatura Universal. Lisboa: Cavalo de Ferro.
 

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